IRONIA, EM GOTAS.
Meu nariz espirra
secreção e mágoa
Minha boca exala
mal hálito e fala
Minhas veias derramam
sangue e sofrimento
Meu pulmão inspira
fuligem e sonhos
Meus rins filtram
Álcool e desilusões
Ora, veja.
Qual azar seria o meu
Se, por descaso
de qualquer entidade
superior que exista
ou não,
Essas partes se unissem
independente das especificidades
tal como a ponte
que une
Cachoeira a São Félix
Nem toda ironia poética
seria capaz
de fazer da biomedicina
um saber dotado
da possibilidade
de compreender complexidades.
Leonardo Otávio N. Azevedo
Obs: crítica à segmentação dos corpos.
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